Mare nostrum



Eu vi o homem livre,
livre como o vento noturno do Magreb,
ser chamado por um número que não era seu.
Eu vi o homem livre,
livre como a suave brisa mediterrânea,
ser despido de suas roupas habituais,
ser vestido com embalagens de mercadoria.
Eu vi o homem livre,
livre como o primeiro homem que se ergueu na África,
ser impedido em sua ancestral caminhada para a Europa.
Eu vi o homem livre,
livre como uma tarde preguiçosa de descanso,
ser obrigado a chamar um armazém de lar.
Eu vi o homem livre,
livre como um passeio em um dia livre,
ser conduzido por um caminho que o arrastava.


Eu vi o homem livre.
Vi. Não vejo mais.
Cobriram-no com um manto antigo e espesso
e eu não sou mais livre para ver o homem livre.



.bcg.